
Tava aqui imaginando como seria se você chegasse do trabalho e eu estivesse só com a tua camisa e de calcinha na cozinha, dançando enquanto faço nosso jantar. Ou então, como seria se estivéssemos dormindo juntos e você acordasse primeiro, me enchesse de beijos e me chamasse de dorminhoca só porque fiz bico por não querer acordar e ter que levantar da cama por não poder ficar o dia inteiro nela com você. Já imaginei também nós dois viajando juntos, no seu carro, você dirigindo e eu pedindo pra você deixar eu dirigir. E pior, você deixando mesmo eu não tendo carteira. Se a polícia nos parasse, íamos presos mas pelo menos estaríamos juntos. Não importa, nada importa se eu estiver com você. Seria engraçado também imaginar eu irritada por algo que você disse ou fez e você implicando mais ainda e me abraçando enquanto eu tento me soltar. Tenho certeza que quanto mais eu tentasse, mais forte você ia me prender no seu corpo e no final, ia me beijar. É, eu não ia resistir. Gosto de imaginar também você deitado no meu colo e eu mexendo, bagunçando, seu cabelo. Ou então, eu te enchendo de beijos por todo o rosto e não ia parar na tua boca… Ia parar perto do seu ouvido e dizer bem baixinho que eu te amo. Pra ninguém além de você ouvir mesmo, só você precisa saber. No frio eu ia querer deitar na nossa cama e ficar abraçada, agarrada em você, vendo um filme qualquer na tevê só pro tempo passar. Aliás, ao seu lado eu ia querer que o tempo parasse. Olha como seria ótimo! Eu, você e o relógio parado. Sem hora pra nada, sem hora pra voltar pra realidade, sem nenhum compromisso que temos que cumprir, só nós dois e talvez um cachorro. Já imaginei tantas coisas com você, inclusive nós dois ficando velhinhos juntos. Já imaginei até o nosso casamento. Em Las Vegas mesmo, sem toda aquela formalidade, só nossos melhores amigos, nosso cachorro kkk, as alianças que compramos na hora e algo azul pra dar sorte. É, eu imagino um monte de situações com você. Ih, se eu for parar pra pensar e contar todas as vezes que você passou pela minha cabeça só hoje vou precisar de pelo menos mais 100 anos. Imaginaaaaa, viver 100 anos contigo?! Você ia se cansar de mim primeiro, tenho certeza. E nem vem com essa de ”Ah eu sou chato”, você é lindo, isso sim. A chata aqui sou eu, então, cala a boca. De preferência, cala a boca na minha.

Podemos estar longe, estar seguindo com as nossas vidas, aproveitando outras pessoas, querendo coisas diferentes, alcançando objetivos distintos, seguindo caminhos completamente opostos, mas eu sei, eu sinto… Minha vida vai cruzar com a tua, quando a gente menos esperar, tua rua encosta na minha e a gente se junta. Não to esperando acontecer, nem quero que aconteça logo, quando for pra ser, que seja. Você me disse que não queria saber, que ia esquecer e ta aí, voltando, aparecendo, sempre e como sempre, sorrindo pra mim, me “destruindo” mas na verdade… me fazendo sorrir. Fazer o que, não importa, contando que depois de tanta demora, de tanta volta, dê tudo certo. Tanto faz, só quero mesmo é que um dia, seja lá quando for, minha vida esteja no mesmo caminho de mãos dadas com a tua.
- Oi. Já faz algum tempo…

Os dois estavam sentados um do lado do outro, não se olhavam diretamente, apenas de rabo de olho. Estavam sozinhos, mas de repente as palavras fugiram. Envergonhada e um tanto quanto encomodada com o silêncio que pairava ali, a menina brincava com uma mecha de cabelo. Ele, por sua vez, olhava fixamente para frente e as vezes sorria. Sem notar que ela o observava, olhou para garota e logo depois desviaram o olhar fingindo observar outra coisa qualquer. Juntos, exatamente no mesmo instante, viraram para poderem se olhar de verdade. Suas bocas se tocaram e podia jurar que ocorreu uma faisca com o toque. Não se distanciaram, apenas sorriram. Ainda sem realmente se olhar. Num impulso, o garoto a puxou pela cintura para mais perto e esta acabou sentando-se em seu colo, ao mesmo tempo q alisava as costas da menina, beijava-lhe os quentes labios devagar. Por fim, fecharam os olhos. Não é preciso ver para ser real, sentir.

Tá tudo tão estranho. O que é que anda acontecendo, me explica? Você têm andado tão distante… Parece que nem nos conhecemos mais, somos dois estranhos, talvez? Está ficando muito no teu canto e quando eu tento te puxar pra perto… Tu solta minha mão. Me explica, só me explica o porque disso tudo? Eu gostaria muito de saber. Acha que pode se afastar assim, desse jeito? Talvez não saiba, mas a escolha não é só sua! Tá me afetando, tá até doendo, sabia? Não olha mais em meus olhos, não sorri mais para mim, não me abraça mais como costumava fazer. E eu amava… Como amava. Teus olhos me confortavam, teu sorriso me fazia sorrir e teu abraço… Ah, ele costumava ser (e tenho certeza que ainda é) o melhor do mundo. Volta? Volta a sorrir pra mim, a me olhar tão docemente, a me abraçar… Eu faço o que quiser, só não fica assim e nem pede pra eu me afastar.